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Equipamento da Unidade Neonatal: Um Guia para Pais sobre os Fios, Máquinas e Monitores à Volta do Seu Bebé

Entrar numa unidade neonatal pela primeira vez pode trazer muitas emoções diferentes.


Os pais podem sentir-se ansiosos, assustados e sobrecarregados. Podem ficar surpreendidos com o barulho da unidade, com a quantidade de equipamento e assustados ao ver o seu bebé rodeado de fios, tubos e monitores — com os alarmes constantemente a tocar em segundo plano.


Pode levar algum tempo até se sentirem mais confortáveis numa unidade neonatal.


Mas algo que noto muitas vezes é o quanto os pais aprendem ao longo deste percurso. Costumo brincar com eles e dizer que, quando o bebé tiver alta, provavelmente já iriam conseguir escrever um livro sobre cuidados neonatais!


Se estão no início deste percurso, a primeira coisa que quero que saibam é que estamos aqui para vos apoiar.


Nenhuma pergunta é tonta e nunca é uma má altura para perguntar. Cuidar do vosso bebé também significa apoiar-vos, explicar o que está a acontecer e ajudar-vos a compreender os cuidados que o vosso bebé está a receber.


A segunda coisa que quero que saibam é que muita coisa pode mudar.


Aquilo que veem no dia em que o vosso bebé é internado pode parecer extremamente assustador, mas não significa que tudo vá estar igual amanhã, na próxima semana ou mais à frente. Com os cuidados e o apoio adequados, as coisas podem mudar e melhorar — e estamos aqui para ajudar o vosso bebé em cada etapa.


Por isso, neste artigo, quero explicar algum do equipamento que podem encontrar numa unidade neonatal — o que é, para que serve e porque é que o vosso bebé pode precisar dele — sem toda aquela linguagem médica complicada.


Monitorizar o vosso bebé


Uma das primeiras coisas em que podem reparar é na quantidade de fios que parecem estar ligados ao vosso bebé.


Apesar de inicialmente poder parecer assustador, muitos desses fios servem simplesmente para ajudar a equipa neonatal a monitorizar continuamente parâmetros como a frequência cardíaca, a respiração e os níveis de oxigénio do vosso bebé.


Sensor de saturação


O sensor de saturação é normalmente colocado à volta da mão ou do pé do bebé e poderão reparar numa pequena luz vermelha por baixo.


Este sensor mede continuamente a saturação de oxigénio no sangue do bebé (muitas vezes chamada simplesmente de “saturação”) e também a frequência cardíaca.


O sensor em si não dói. A equipa irá verificar regularmente a pele por baixo do sensor e alternar a sua posição entre as mãos e os pés para proteger a pele delicada do vosso bebé.


Sensor de saturação utilizado para monitorizar os níveis de oxigénio e a frequência cardíaca de um bebé


Eléctrodos de ECG


Aqueles pequenos adesivos colocados no peito do vosso bebé, com fios ligados, são eléctrodos de ECG.


Permitem ao monitor medir continuamente a frequência cardíaca do bebé e também podem ajudar a monitorizar a sua respiração.


Dependendo do tipo utilizado na unidade neonatal, podem parecer pequenos adesivos ou eléctrodos com fios de diferentes cores.


Braçadeira de tensão arterial


A tensão arterial dos bebés também pode ser medida — apenas com uma braçadeira muito mais pequena do que a utilizada nos adultos.


Uma pequena braçadeira é colocada no braço ou na perna do bebé e enche-se brevemente enquanto o aparelho faz a medição.


Alguns bebés precisam apenas de medições ocasionais, enquanto outros, que estão mais instáveis, podem precisar que a tensão arterial seja verificada com maior frequência.


Monitorização da temperatura


Os bebés prematuros e os bebés que estão doentes podem ter mais dificuldade em manter a temperatura corporal, por isso esta é verificada regularmente.


Dependendo do bebé e da unidade neonatal, a temperatura pode ser medida com um termómetro colocado debaixo do braço ou através de um sensor de temperatura colocado sobre a pele.


Nos bebés que estão numa incubadora, pode ser utilizado um sensor de temperatura na pele para ajudar a incubadora a regular a temperatura de acordo com as necessidades do bebé.


Ajudar o vosso bebé a respirar


O equipamento utilizado para ajudar na respiração pode ser uma das coisas mais intimidantes de ver à volta do vosso bebé.


Existem diferentes tipos de suporte respiratório utilizados nos cuidados neonatais. O tipo de suporte de que o vosso bebé necessita depende de factores como a idade gestacional, o seu estado clínico e a quantidade de ajuda de que precisa para respirar.


Alto fluxo nasal


A terapia de alto fluxo fornece ar aquecido e humidificado, por vezes com oxigénio adicional, através de pequenas cânulas colocadas nas narinas do bebé.


Poderão ouvir a equipa referir-se a este suporte como “alto fluxo” ou ouvir o nome de um sistema específico, como Vapotherm.


Os bebés que recebem alto fluxo continuam a respirar sozinhos, mas o fluxo pode ajudar a apoiar a respiração e a reduzir o esforço necessário para respirar.


CPAP


CPAP significa Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas.


Fornece uma pressão contínua suave através de pequenas cânulas nasais ou de uma máscara. Esta pressão ajuda a manter os pulmões e as vias aéreas do bebé abertos enquanto ele continua a respirar sozinho.


Ver o gorro, os tubos e a interface nasal utilizados no CPAP pode fazer parecer que existe imenso equipamento à volta de um bebé tão pequeno, mas cada peça tem uma função.


Bebé manequim com CPAP utilizado numa unidade neonatal para demonstrar suporte respiratório


Ventilador


Alguns bebés precisam de mais suporte respiratório e podem necessitar de um ventilador.

Um tubo respiratório é introduzido pela boca ou pelo nariz do bebé até à traqueia (via aérea) e ligado ao ventilador. O ventilador pode então apoiar parcial ou totalmente a respiração do bebé.


Existem diferentes tipos e modos de ventilação, e a equipa neonatal irá ajustar o suporte de acordo com as necessidades individuais do vosso bebé.


Neopuff


Poderão ver um Neopuff junto ao berço ou à incubadora do vosso bebé.


O Neopuff é um dispositivo que permite aos profissionais treinados administrar respirações controladas ao bebé através de uma máscara facial ou de um tubo respiratório. Pode ser utilizado se o bebé não estiver a respirar, não estiver a respirar de forma eficaz ou precisar de ajuda adicional para respirar.


O dispositivo permite controlar a pressão administrada em cada respiração, ajudando-nos a fornecer suporte respiratório de forma segura e consistente.


Também poderão ver um Neopuff nas salas de parto, para além das unidades neonatais.


Neopuff utilizado para fornecer suporte respiratório a bebés numa unidade neonatal


Alimentar o vosso bebé


A alimentação é outra área em que os bebés internados numa unidade neonatal podem precisar de alguma ajuda adicional.


Os bebés prematuros ou que estão doentes podem ainda não ter a força, a coordenação ou a resistência necessárias para beber todo o leite através da mama ou do biberão.


Sonda NG ou OG


Uma sonda nasogástrica (NG) é um tubo fino e macio que passa pelo nariz até ao estômago. Uma sonda orogástrica (OG) faz o mesmo percurso, mas é introduzida pela boca.


O leite pode ser administrado através da sonda quando o bebé ainda não consegue beber oralmente tudo aquilo de que necessita.


Ter uma sonda de alimentação não significa necessariamente que o vosso bebé não possa mamar ou beber pelo biberão. Muitos bebés começam gradualmente a praticar a alimentação oral enquanto continuam a receber parte do leite através da sonda.


Sonda de alimentação utilizada para administrar leite a um bebé numa unidade neonatal


Cateteres, long lines, medicação e fluidos


Também poderão reparar em pequenos tubos inseridos na mão, no pé, no braço ou na perna do vosso bebé.


Estes permitem à equipa neonatal administrar fluidos, medicamentos ou nutrição diretamente na corrente sanguínea do bebé quando necessário.


Cateter venoso


Um cateter venoso é um pequeno tubo de plástico colocado numa veia, frequentemente na mão, no pé, no braço ou na perna do bebé.


Pode ser utilizado para administrar antibióticos, fluidos, medicamentos ou outros tratamentos.


Como as veias dos bebés são extremamente pequenas e frágeis, estes cateteres por vezes precisam de ser substituídos durante o internamento.


Long line


Uma long line é um tubo muito fino e mais comprido, introduzido numa veia e cuidadosamente avançado até que a sua extremidade fique posicionada numa veia central de maior calibre.


Pode permanecer colocado durante mais tempo do que um cateter venoso convencional e é particularmente útil quando o bebé necessita de tratamento intravenoso ou nutrição durante um período mais prolongado.


Bombas de infusão e seringas perfusoras


As bombas junto à incubadora do vosso bebé podem parecer complicadas, mas a sua função é essencialmente administrar quantidades muito precisas de fluidos ou medicamentos a uma velocidade controlada.


Isto é particularmente importante nos cuidados neonatais porque os bebés são tão pequenos que até volumes muito reduzidos fazem diferença.


Bombas de infusão e seringas perfusoras utilizadas para administrar fluidos e medicamentos em cuidados neonatais


Manter o vosso bebé quente


Os bebés prematuros têm menos gordura corporal e uma capacidade ainda imatura de regular a temperatura, o que pode dificultar a manutenção da sua temperatura corporal.


É por isso que manter os bebés quentes é uma parte tão importante dos cuidados neonatais.


Incubadora


Uma incubadora proporciona um ambiente quente e controlado à volta do bebé.


A temperatura pode ser ajustada de acordo com as necessidades do bebé e algumas incubadoras também podem fornecer humidade adicional — algo particularmente útil para bebés extremamente prematuros, cuja pele é muito delicada.


Embora inicialmente as paredes da incubadora possam parecer uma barreira entre vocês e o vosso bebé, os pais podem continuar a participar nos seus cuidados. À medida que o bebé fica suficientemente estável, isso pode incluir mudar a fralda, prestar cuidados à boca, confortá-lo através do toque e fazer contacto pele com pele.


Incubadora neonatal utilizada para manter o bebé num ambiente quente e controlado


Berço aquecido (hot cot)


À medida que o vosso bebé se torna mais capaz de manter a própria temperatura, poderá passar da incubadora para um berço aquecido, por vezes chamado de “hot cot”.


Este berço tem um colchão aquecido especial que proporciona calor adicional enquanto o bebé é cuidado num berço aberto. A temperatura do colchão pode ser ajustada de acordo com as necessidades do bebé e gradualmente reduzida à medida que ele se torna mais capaz de manter a sua própria temperatura.


Para muitos pais, ver o bebé passar da incubadora para um berço pode ser um momento muito especial e representar mais uma etapa importante no seu percurso neonatal.


Berço neonatal com colchão aquecido utilizado para ajudar o bebé a manter a temperatura corporal


Fototerapia


Se o vosso bebé desenvolver icterícia, poderão ver uma luz azul intensa posicionada sobre o berço ou a incubadora. Este tratamento chama-se fototerapia.


A icterícia acontece quando uma substância chamada bilirrubina se acumula no sangue, fazendo com que a pele e a parte branca dos olhos fiquem amareladas.


A fototerapia utiliza um tipo específico de luz azul que transforma a bilirrubina numa forma que o organismo do bebé consegue eliminar mais facilmente.


Durante a fototerapia, o bebé normalmente utiliza uma proteção especial para os olhos, e os níveis de bilirrubina são monitorizados para avaliar a resposta ao tratamento.


E todos aqueles alarmes?


Uma das coisas que os pais muitas vezes acham mais difícil no início é o som constante dos alarmes. Quando ainda não sabem o que significam, cada alarme pode fazê-los pensar que alguma coisa está errada com o bebé.


Os monitores e equipamentos à volta do vosso bebé têm limites de alarme definidos para alertar a equipa quando um valor se altera ou fica fora de determinados limites.


Mas um alarme nem sempre significa que alguma coisa está errada com o vosso bebé.


O sensor de saturação pode perder o sinal quando o bebé se mexe. Um eléctrodo de ECG pode descolar-se. Por vezes, um valor pode ficar brevemente fora dos limites definidos e voltar rapidamente ao normal.


Claro que os alarmes também podem alertar-nos para alterações que precisam da nossa atenção. É por isso que não olhamos apenas para os números no monitor — olhamos também para o vosso bebé.


Com o tempo, poderão começar a reconhecer alguns dos diferentes sons da unidade. Mas nunca devem sentir que precisam de interpretar ou responder aos monitores sozinhos.

Se algum alarme vos preocupar, perguntem ao enfermeiro ou à enfermeira do vosso bebé o que significa.


Não precisam de perceber tudo de uma vez


Quando o vosso bebé é internado numa unidade neonatal, são subitamente apresentados a um mundo completamente novo.


Há novas palavras para aprender, máquinas que nunca viram antes e números que rapidamente podem começar a parecer muito importantes.


Não precisam de perceber tudo no primeiro dia.


Façam perguntas. Voltem a perguntar se se esquecerem. E, por favor, não tenham medo de perguntar.


Vejo muitas vezes pais ao lado do bebé com perguntas na cabeça, mas com receio de as fazer. Por vezes, têm medo de que a pergunta pareça tonta, de que estejamos demasiado ocupados ou de que já tenham feito perguntas a mais.


Perguntem na mesma.


Este é o vosso bebé e estamos a falar da sua saúde e dos cuidados que recebe. Devem sentir que podem perguntar o que um monitor está a mostrar, para que serve determinado fio, porque é que o vosso bebé precisa de determinado tratamento ou simplesmente pedir-nos para explicar novamente alguma coisa que não tenham percebido da primeira vez.


Como enfermeiros neonatais, trabalhamos diariamente com este equipamento e com esta terminologia. Por vezes, é fácil esquecermo-nos de que, para vocês, esta pode ser a primeira vez que veem ou ouvem falar de muitas destas coisas.


Vocês também fazem parte dos cuidados do vosso bebé. Queremos que se sintam informados, envolvidos e apoiados durante todo o tempo que passarem na unidade neonatal.


Por isso, se têm uma pergunta na cabeça, façam-na. Merecem compreender os cuidados que o vosso bebé está a receber.




Cada bebé e cada percurso neonatal são diferentes, e o equipamento, a terminologia e as práticas utilizadas podem variar entre unidades neonatais. Este artigo destina-se apenas a fornecer informação geral e não substitui as orientações da equipa neonatal responsável pelos cuidados do vosso bebé.

 
 
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