Behind the Beeps: Compreender os Alarmes na Unidade Neonatal
Se já passou algum tempo numa unidade neonatal, provavelmente lembra-se dos sons.
Os bips. Os alarmes. Os monitores.
Por vezes, parece que há sempre alguma coisa a apitar.
Para os pais, especialmente durante as primeiras horas ou dias, ouvir um alarme pode ser assustador. Pode dar por si a olhar constantemente para o monitor, a ver os números a mudar e a perguntar-se:
O meu bebé está bem?
Como enfermeira neonatal, quero levá-lo um pouco por detrás desses bips e explicar o que está a ouvir — porque um alarme nem sempre significa que alguma coisa está errada.
Porque existem tantos alarmes?
Os bebés internados numa unidade neonatal são monitorizados de perto porque alguns nasceram prematuros, estão doentes ou precisam de apoio adicional enquanto crescem e recuperam.
Dependendo das necessidades do seu bebé, o monitor pode avaliar continuamente parâmetros como:
Frequência cardíaca
Saturação de oxigénio
Frequência respiratória
Outros equipamentos junto ao berço ou incubadora também podem ter os seus próprios alarmes, incluindo bombas de medicação e equipamentos de suporte respiratório.
Cada alarme tem uma função: alertar a equipa neonatal quando alguma coisa precisa de ser verificada.
Mas é importante lembrar que nem todos os alarmes significam uma emergência.

Porque é que o monitor está sempre a apitar?
Os monitores estão programados para alertar a equipa quando um valor ultrapassa os limites definidos para o seu bebé.
Por vezes, isso acontece porque a saturação de oxigénio, a frequência cardíaca ou a frequência respiratória do bebé realmente se alteraram.
Mas os alarmes também podem soar por razões muito mais simples.
O seu bebé pode mexer-se.
O sensor de saturação pode deixar de captar corretamente o sinal.
Um elétrodo do ECG pode descolar-se.
O seu bebé pode estar a chorar, a alimentar-se ou a ser cuidado.
O monitor consegue detectar quando um valor ultrapassa os limites definidos para o seu bebé, mas nem sempre consegue dizer-nos porquê. Por exemplo, uma saturação de oxigénio baixa pode significar que o nível de oxigénio do seu bebé realmente desceu ou simplesmente que o sensor se deslocou e não está a captar correctamente o sinal.
É por isso que não olhamos apenas para o monitor.
Olhamos para o seu bebé também.
“Porque é que a equipa de enfermagem não vem logo quando o alarme toca?”
Esta é uma dúvida que alguns pais podem ter — principalmente quando um alarme começa a tocar e os enfermeiros não correm imediatamente até ao bebé.
Pode parecer estranho quando está a ouvir um som que parece urgente.
Mas, com a experiência, os profissionais das unidades neonatais aprendem a interpretar os alarmes juntamente com aquilo que observam clinicamente.
Podemos estar a observar o seu bebé à distância.
Podemos estar a analisar o traçado no monitor.
Podemos perceber que o sinal não está a ser captado correctamente.
Ou podemos saber que o seu bebé tem frequentemente um determinado episódio breve e que já está a recuperar.
O alarme chama a nossa atenção.
É o bebé que nos mostra o que precisa de acontecer a seguir.
Se o seu bebé precisar de ajuda, a equipa neonatal irá responder de acordo com o que estiver a acontecer. Pode ser algo tão simples como reposicionar o bebé ou fazer uma estimulação suave, ou pode ser necessário ajustar o oxigénio ou o suporte respiratório. Em algumas situações, poderá ser necessária uma intervenção mais urgente.
A resposta dependerá do seu bebé, do tipo de alarme e daquilo que a equipa observa durante a avaliação.
O que são dessaturações, bradicardias e apneias?
Durante o internamento do seu bebé na unidade neonatal, poderá ouvir a equipa utilizar palavras como dessat, bradi ou apneia.
Uma dessaturação, muitas vezes chamada simplesmente de “dessat”, significa que a saturação de oxigénio do seu bebé desceu abaixo dos limites definidos para ele. Poderá ver o valor da saturação a descer no monitor e ouvir um alarme. Algumas dessaturações são breves e o bebé recupera sozinho, enquanto outras podem necessitar do apoio da equipa neonatal.
Uma bradicardia, por vezes chamada de “bradi”, significa que a frequência cardíaca do seu bebé desceu abaixo dos limites definidos para ele. As bradicardias podem acontecer juntamente com uma dessaturação ou uma apneia, especialmente em bebés prematuros. Algumas são breves e resolvem-se espontaneamente, enquanto outras podem necessitar de intervenção.
Uma apneia é uma pausa na respiração. Nos bebés prematuros, isto pode acontecer porque a parte do cérebro responsável pelo controlo da respiração ainda está em desenvolvimento. Uma apneia também pode ser acompanhada por uma descida da frequência cardíaca ou da saturação de oxigénio. Dependendo do episódio, o seu bebé poderá recuperar sozinho ou precisar de estimulação suave ou de apoio adicional da equipa neonatal.
Se ouvir a equipa falar de uma “dessat”, “bradi” ou “apneia” e não perceber o que aconteceu, pergunte. Estes episódios podem parecer assustadores quando olha para o monitor e ouve os alarmes, mas o seu significado e a forma como são tratados dependem de cada bebé.
A equipa neonatal poderá explicar-lhe o que é esperado no caso do seu bebé e quando determinado episódio poderá necessitar de maior atenção.
Os números não contam a história toda
É perfeitamente compreensível começar a ficar muito atento ao monitor.
Muitos pais dão por si a olhar constantemente para os números.
Mas o seu bebé é muito mais do que os números que aparecem no monitor por cima do berço ou da incubadora.
Enquanto enfermeiros neonatais, utilizamos o monitor como apenas uma parte de uma avaliação clínica muito mais abrangente. Também observamos a cor do bebé, a respiração, o comportamento, os movimentos e o seu estado geral.
Por vezes, o monitor pode estar a alarmar enquanto o bebé parece perfeitamente confortável.
Outras vezes, podemos reparar numa alteração no bebé antes de o monitor nos dizer alguma coisa.
A tecnologia ajuda-nos a cuidar dos bebés, mas nunca irá substituir o acto de olhar verdadeiramente para o bebé.
Vai começar a reconhecer os sons
Algo que noto frequentemente é a rapidez com que os pais começam a conhecer o ambiente neonatal do seu bebé.
No início, cada bip pode fazê-lo sobressaltar.
Depois, gradualmente, poderá começar a reconhecer qual o equipamento responsável por determinado alarme. Poderá perceber que o sensor de saturação saiu do lugar antes mesmo de alguém dizer alguma coisa. Pode até começar a reconhecer o monitor do seu próprio bebé do outro lado da sala.
Também está a aprender.
Alguma familiaridade pode ser positiva — mas existem limites
Com o passar do tempo, poderá ficar muito familiarizado com o monitor do seu bebé. Pode reconhecer determinados alarmes, perceber quando um sensor se deslocou ou até saber que uma determinada bomba está prestes a começar a apitar.
Essa familiaridade pode ajudar a tornar o ambiente neonatal um pouco menos assustador. No entanto, é importante que os pais não silenciem os alarmes, parem as bombas ou alterem qualquer equipamento, mesmo quando acham que sabem exatamente porque está a alarmar.
Por vezes, já tive de relembrar alguns pais disto. Depois de semanas ou até meses numa unidade neonatal, é perfeitamente compreensível que os bips constantes se tornem frustrantes e que comece a sentir-se muito familiarizado com o equipamento.
Mas um alarme existe para alertar a equipa neonatal. Silenciá-lo ou parar um equipamento pode fazer com que algo importante não seja detectado ou que o tratamento do seu bebé seja interrompido.
Se alguma coisa estiver a apitar, chame o enfermeira do seu bebé em vez de tentar silenciar ou ajustar o equipamento. Mesmo que seja algo simples, preferimos sempre que nos pergunte.
Já o disse antes, mas acho que vale a pena repetir: não é suposto compreender monitores, equipamentos ou terminologia neonatal simplesmente porque o seu bebé está internado numa unidade neonatal.
É mãe/pai, não um profissional de neonatologia. Se não compreender alguma coisa que vê ou ouve, pergunte-nos. Preferimos explicar-lhe do que deixá-lo sentado junto ao seu bebé preocupado ou sem perceber o que está a acontecer.
Por detrás de cada bip está um bebé
As unidades neonatais podem ser locais ruidosos, técnicos e intimidantes.
Os alarmes têm uma função importante, mas quando está sentado junto ao seu bebé, podem tornar uma experiência que já é difícil ainda mais assustadora.
Por isso, se der por si a olhar mais para o monitor do que para o seu bebé, tente lembrar-se:
O monitor dá-nos informação. O alarme chama a nossa atenção. Mas nós cuidamos do seu bebé, não apenas dos números.
E se alguma vez tiver dúvidas sobre aquilo que está a ver ou a ouvir, pergunte-nos. Merece compreender o que está a acontecer com o seu bebé e sentir-se informado e envolvido nos seus cuidados.
Este artigo destina-se apenas a informação geral e educação parental e não substitui as orientações da equipa neonatal ou médica responsável pelo seu bebé. Os limites dos alarmes, as práticas de monitorização e a resposta aos alarmes podem variar consoante o bebé, a unidade neonatal e o equipamento utilizado.

